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Introdução ao Manifesto

A nossa candidatura ao Conselho Geral nasce de uma convicção essencial: a Universidade é, acima de tudo, uma comunidade de pessoas — docentes, investigadores, funcionários e estudantes — a comunidade NOVA. Acreditamos num Conselho Geral que seja o coração estratégico da instituição, espaço de diálogo aberto, escuta ativa e compromisso com o futuro coletivo.

Consideramos que este órgão é central para o futuro da Universidade enquanto espaço de decisão estratégica e de supervisão exigente, independente e responsável. Num contexto nacional e internacional marcado por intensa competição científica, exigência crescente no ensino superior e escrutínio público das instituições, o Conselho Geral deve assumir plenamente a sua função de decisão estratégica e supervisão, exercendo-a com visão, rigor e sentido institucional.

Declaração de Princípios

1. Unidade na diversidade: autonomia como motor de excelência

Ao longo de mais de 50 anos, a NOVA construiu a sua identidade a partir da diversidade das suas unidades orgânicas. Essa diversidade, disciplinar, cultural, organizacional e estratégica, tem sido o principal motor do seu desenvolvimento, permitindo a afirmação de áreas de excelência académica e científica no plano nacional e internacional.

Defendemos uma Universidade que promova a sua unidade através da valorização dessa diversidade. O respeito pela autonomia científica, pedagógica e organizacional das unidades orgânicas é condição essencial para a inovação, a criatividade e a afirmação diferenciada de cada ecossistema académico.

A autonomia, porém, deve articular-se com uma visão estratégica comum. O equilíbrio entre coordenação estratégica e autonomia deve ser construído num espírito de colegialidade, respeito institucional e cooperação entre órgãos, promovendo níveis adequados de integração e solidariedade institucional sempre que tal contribua para melhorar a eficiência, a qualidade e a coesão da Universidade.

2. Governação moderna: responsabilidade e avaliação baseada em evidência

O Conselho Geral é, antes de mais, um órgão de decisão estratégica e de supervisão. Essa responsabilidade exige capacidade analítica, visão de longo prazo e compromisso com uma cultura de avaliação baseada em evidência.

Num contexto de crescente complexidade na gestão da ciência — financiamento competitivo, avaliação internacional, integridade científica e ciência aberta — o Conselho Geral deve acompanhar as grandes orientações estratégicas da política científica da Universidade, assegurando coerência entre prioridades institucionais, responsabilidade científica e interesse público.

Defendemos mecanismos sistemáticos de supervisão, prestação de contas e avaliação do impacto das decisões institucionais, incluindo:

  • definição clara de objetivos estratégicos mensuráveis;

  • acompanhamento regular de indicadores de desempenho;

  • avaliação periódica de políticas com base em dados robustos;

  • transparência na divulgação de resultados.

Uma universidade de excelência deve alinhar-se com padrões internacionais de governação, reforçando a tomada de decisão informada por dados e evidência. O Conselho Geral deve assumir um papel ativo na promoção desta cultura, articulando a supervisão estratégica com independência efetiva face aos restantes órgãos. Deve ainda incentivar uma cultura institucional aberta à inovação, incluindo a utilização responsável de tecnologias emergentes para reforçar a produtividade, a qualidade do trabalho académico e a capacidade de resposta da Universidade.

3. Natureza fundacional e valorização das pessoas

A NOVA dispõe de dois ativos estruturantes: a sua natureza fundacional e a autonomia das unidades orgânicas. Em particular, o regime fundacional abriu oportunidades relevantes, nomeadamente na gestão patrimonial, flexibilidade organizacional e contratação de recursos humanos.

Todavia, uma governação responsável exige avaliação rigorosa e periódica dos custos e benefícios desse modelo. O desenvolvimento institucional deve tirar partido das suas potencialidades, sem abdicar de uma reflexão crítica contínua sobre os seus efeitos na qualidade académica, nas condições de trabalho e na sustentabilidade da Universidade.

A qualidade científica e pedagógica depende diretamente da valorização das pessoas. A NOVA deve assegurar condições que permitam a docentes, investigadores e funcionários desenvolver as suas carreiras com estabilidade, previsibilidade e oportunidades reais de progressão. Percursos profissionais claros, transparentes e exigentes são condição essencial para promover mérito, excelência e ambição institucional.

O Conselho Geral deve garantir que as decisões estratégicas colocam sempre as pessoas, estudantes e trabalhadores, no centro da missão universitária.

4. Missão académica integrada: ensino, investigação e impacto

A NOVA deve afirmar-se como uma instituição onde ensino e investigação de qualidade são indissociáveis. Excelência pedagógica, o ensino exigente e inovador e excelência científica reforçam-se mutuamente e constituem o núcleo da missão universitária.

Essa missão implica gestão estratégica responsável da atividade científica, promovendo integridade, interdisciplinaridade, sustentabilidade dos projetos e coerência entre financiamento, prioridades e impacto social.

Para esse fim, a Universidade deve criar condições institucionais que permitam aos seus docentes, investigadores e funcionários desempenhar as suas funções com qualidade e continuidade, promovendo ambientes de trabalho estáveis, colaborativos e orientados para a inovação.

A Universidade deve igualmente reforçar os mecanismos de ligação à sociedade, e afirmar a sua dimensão internacional, promovendo o impacto do ensino e da investigação nos planos económico, social, cultural e cívico. Consolidada como grande universidade metropolitana de Lisboa, aberta ao mundo e enraizada na região, a NOVA deve continuar a afirmar-se como uma universidade internacional, capaz de atrair talento, desenvolver redes académicas globais e contribuir para os grandes desafios científicos e sociais do nosso tempo.

Criar melhores condições institucionais — menos burocracia, mais liberdade criativa, mais tempo para investigação e ensino — é essencial para potenciar capacidades e gerar conhecimento relevante e transformador ao serviço dos estudantes e da sociedade. Os estudantes e o seu futuro devem estar no centro das preocupações da Universidade e orientar permanentemente a sua missão formativa e científica.

5. Cultura institucional: lealdade, pluralismo e mérito

Os membros desta lista comprometem-se com os princípios da lealdade institucional, do debate construtivo, da transparência e da auscultação regular da comunidade académica.

Defendemos uma cultura da NOVA alicerçada no respeito pelas especificidades dos seus vários ecossistemas e grupos. A promoção da responsabilidade, da qualidade e do mérito deve atravessar todas as dimensões da vida universitária, incluindo recrutamento, progressão e avaliação.

A Universidade deve afirmar-se como espaço de pluralismo, cultura cívica e democrática, onde o debate informado e o respeito pela diferença são práticas quotidianas.

O Conselho Geral deve ser um espaço de reflexão qualificada e decisão responsável, onde as diferenças se traduzem em evolução produtiva e não em fragmentação. Desta forma, suportará uma universidade de todos, humana e em constante evolução, que nunca esqueça o valor que a sustenta: a comunidade NOVA.

6. Atuação dialogante e cooperante

A nossa atuação será dialogante e cooperante com todos os órgãos da Universidade, no estrito respeito pelas competências estatutárias de cada um. A relação com o Reitor deve ser simultaneamente leal e exigente, orientada por critérios objetivos, estratégicos e baseados em resultados.

Compromisso

Acreditamos numa NOVA unida na diversidade, estrategicamente orientada, responsável perante a sua comunidade e a sociedade, fundada na liberdade científica e na responsabilidade social. É com este compromisso que nos apresentamos ao Conselho Geral, disponíveis para contribuir para o desenvolvimento sustentado da Universidade NOVA de Lisboa no plano local, nacional e internacional.

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